[REVIEW] Comentando o Episódio 10.22 – “The Prisoner” de Supernatural

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terça-feira, 19 maio 2015 1605 Views 1 Comments
[REVIEW] Comentando o Episódio 10.22 – “The Prisoner” de Supernatural
“The Prisoner” é nada menos que o vigésimo quinto episódio escrito pelo jovem e experiente Andrew Dabb (foto), que integra a equipe de roteiristas da série desde a 4ª temporada, estreando a cargo do roteiro no memorável 4.06-“Yellow Fever”. O episódio foi dirigido pelo experiente Thomas J. Wright (foto), integrante da equipe de direção na série desde a sétima temporada, sendo este seu nono episódio a cargo da direção. A edição do episódio ficou a cargo de James Pickel (foto), experiente integrante da equipe de edição da série que iniciou como assistente de edição durante sete episódios no decorrer da 7ª temporada, estreando em 7.02-“Hello, Cruel World”. atuando como Editor a partir da oitavo ano.
  
Andrew Dabb (Escritor)          James Pickel (Editor)         Thomas J. W. (Diretor)
O penúltimo episódio da décima temporada resgata a linearidade narrativa apresentada no início da temporada, introduzindo um “Nerd” em pleno Bullying na saída do colégio em um curioso prólogo intermitente. Mas este “momento teen” é o pretexto introdutório articulado ao roteiro por Andrew Dabb para retificar a soberania onipresente da família Styne. Ao ser afrontado pelo valentão, Cyrus (Connor Pryce) demonstra perspicácia e acentuada leitura dinâmica, além de estabelecer empatia com o espectador através da misericórdia de poupá-lo da intervenção de Eli. Mas para ele, a família é sagrada e o rapaz acaba fadado a pagar por ter tocado desrespeitosamente no pupilo Styne. Este senso de retaliação sutilmente remete a “Os intocáveis” (série de 1959 adaptada do livro homônimo posteriormente adaptada para o cinema), por retratar o período da Lei Seca nos EUA como um dos eventos históricos influenciados pelos Styne e por atribuir ao legado um conceito alternativo da ideologia dos intocáveis. A partir destas referencias, compreendemos a amplitude proporcionada pela designação dos Styne como os grandes vilões desta temporada. Promissor, pois. A lei seca nos EUA (The Noble Experiment) se iniciou em 1920 até 1933, revogada somente no governo posterior. Decretada pelo 18° edital constitucional, a lei bania a venda, fabricação e o transporte de bebidas alcoólicas em todo o país, culminando no desenvolvimento do comercio ilegal em massa por gangues europeias, sobretudo a máfia italiana (outra aliança dos Styne), liderada por Al Capone. Em síntese, como mencionou Eldon no episódio anterior, toda esta (entre tantas outras) crise nacional nada mais foi do que um plano bilateral arquitetado pelos Styne.
Charlie se foi e Dean está irredutível como nunca. Para dirigir a cena de luto dos irmãos, Thomas J Wright utilizou-se dos mesmos recursos representativos que Robert Singer em 9×10 -“Road Trip”, o Post-mortem de Kevin que foi a extensão da cena final de 9.09-“Holly Terror”, também (muito bem) dirigido por si. O silencio ensurdecedor revestido por lembranças ecoando no consciente da dupla despertam uma reação em cadeia de sentimentos, transmitidos com louvor pela ótima atuação da dupla “J.J” ao som de “Wherever You Wanna Go” de Patty Griffin como background. O equilíbrio na desarmonia entre ambos foi tão naturalmente preciso quanto peças de quebra-cabeça e traz a sensação de que este é pior dos conflitos protagonizados por ambos. Inerte, Dean sequer consegue olhar para Sam que, por sua vez, exprime angustia e aflição em cada gesto, sobretudo diante das palavras mais dolorosas que o primogênito já direcionou ao caçula Winchester.
Como outrora ocorrera com Eldon, Cyrus está preso na imposição do legado Styne acima de seu livre-arbítrio. Mas diferente de Eldon, que definitivamente abraçou seu destino no episódio passado, o nerd intenta o oposto. Mas ingenuidade e aversão não cabem nos planos desta família. Apesar da resistência, o Jovem é forçado a experienciar sua primeira “manipulação cirúrgica”, tendo como cobaia seu agressor no colégio para servir de estímulo. O close nos olhos do cadáver que aparenta fita-lo transmite a densidade tétrica da sinistra família e marca a transgressão de Cyrus. De que forma isto o afetará além das lágrimas? 
Enquanto isso, Sam volta ao esconderijo para desfazer todo seu plano conforme Dean ordenou, até ser surpreendido com o email de Charlie com a decifração do codex em anexo, proporcionando mais reviravoltas à trama. É gratificante ver que o sacrifício de Charlie não foi em vão. Todavia, Rowena cumprirá sua palavra? As novas regras da bruxa dobram o peso nas decisões de Sam que se agravam ao retomar o acesso aos hieróglifos do livro, contrariando Dia novamente. Podemos julgar Sam entre a cruz e a espada? O próprio John Winchester deu a vida para poupar os filhos ao violar o imaculado negócio da família; Charlie tomou a mesma decisão no fim das contas e o próprio Dean mais que qualquer outro jamais pensou duas vezes, custasse o que fosse. Logo condenar Sam é no mínimo, injusto. Afinal, existe negócio da família sem família? Por outro lado, viveríamos sem Crowley? Este twist no roteiro literalmente nos leva a uma encruzilhada onde os efeitos colaterais se tornam ferramentas na execução do inevitável… E agora?
Atiraram no Rei! Assim somos tão surpreendidos quanto o próprio ao cair na armadilha de Sam, que não hesita em alveja-lo. Através da recorrência de situações culminantes, Dabb propicia um tenso, inesperado e bem-vindo “momento Samley” em contraponto à proeminente parceria cênica de “Deanley”, pincelado com uma fotografia obscura e nebulosa que favorece visualmente a atmosfera de suspense com doses de ambiência claustrofóbica. Enquanto isso, Dean trilha sozinho seu projeto vingança em Shreveport. A “cidade Styne” emana exuberância em cores vibrantes a luz do dia e certo tom sombrio à noite. Tudo com um sobressaliente classicismo na arquitetura de tons claros (branco e gelo) em referencia ao cientificismo como alicerce do império Styne. Dean não encontra dificuldades para adentrar o recinto, mas o impetuoso vingador sobressaiu-se ao caçador estrategista, sendo facilmente rendido nos “aposentos reais”. O Jazz tocando ao fundo no Hall de entrada da mansão remete aos Speakeasies, os recintos difusores do estilo musical, onde ilegalmente se vendia o álcool banido pela lei Seca, bem como os capangas de Monroe revestidos de submetralhadoras, no melhor estilo gangster dos anos 30. Aliás, Nova Orleans, maior cidade do estado de Louisiana, é um dos berços da Jazz Music. Sim, caros. Supernatural também é cultura!
Suprise Motherfucker! Presenciar o Rei ao chão, baleado, sucumbindo à tortura do “feitiço materno” e se engasgando no próprio sangue, nos faz roer unhas e temer por seu fim. SQN! Sua sensibilidade no decorrer da temporada, proveniente dos resquícios de seu exorcismo, fora uma espécie de aprendizado inverso para sua definitiva ascensão. O vibrante despertar do “demônio dos olhos vermelhos” resgata talvez pela primeira vez, a onipotência de Crowley em sua plenitude, perpetuada na impecável atuação de Mark Sheppard, que transcende do prostrado ao bravio convictamente, despertando verdadeiro temor em Sam. Este por sua vez, suspira aliviado ao ser poupado pela leniência na misericórdia do ultimo Macleod. Hail to the King, Bitches!
Já na mesa do laboratório de horrores Styne, Dean se vê pronto para ser manipulado como rato de laboratório. A perspectiva individual invertida na captação da câmera em closes é outro recurso imagético bem utilizado por Thomaz J. Wright para transmitir com fidelidade a aflição do momento. Mas o clímax viria a seguir na reação da marca numa surpreendente virada de mesa. Que Supernatural detém ao longo de sua trajetória um soberbo time de diretores e roteiristas é fato consumado e incontestável. Mas Thomas J. Wright se destaca na direção de cenas de ação. Não por acaso, foi escalado para dirigir episódios com memoráveis e decisivas cenas de ação, como no confronto entre Cole e Deanmon em 10.02–“Reinchenbach”. Através de ângulos alternativos e enquadramentos panorâmicos, Thommy proporciona ampla perspectiva na eletrizante sequencia do laboratório. Destaque para a  ótima edição de James Pickel.
Ao invadir o Bunker escoltado apenas por Roscoe (Josh Emerson) como assecla e Cyrus como “menor aprendiz”, podemos constatar a coerência na repreensão de Monroe à Eldon. Ele provou ser um Styne promissor que teve uma ótima ideia arquitetada de forma pífia. Mas não se enganem, pois este aparente amadorismo prático na realidade é um reflexo do maior ponto fraco desta déspota legião: A prepotência de subestimar o oponente. Game Over Stynes! O único “porém” no confronto entre Eldon e Dean seja talvez a rapidez, uma vez que esperávamos um duelo de titãs. Mas apesar dele merecer um fim lento e doloroso, sua breve morte sela a justiça por Charlie acima do descontrole da marca. Em contraponto, o efeito da marca repercute em Cyrus.
Castiel quer nos matar do coração! A coragem de tentar impedir Dean, cogitando inclusive ferí-lo se torna um blefe na tentativa de resgatar o equilíbrio para que sua humanidade prevaleça. Arriscado sim, porém nem de todo falho, já que apesar da surra, a vida do anjo acaba poupada. Em síntese, a morte de Charlie se tornou o equilíbrio necessário para que Dean não sucumbisse à marca, pois o ódio e o desejo de vingança são sentimentos naturalmente humanos, logo a humanidade prevaleceu. Mas até quando? A partir disso, também se compreende melhor como Caim conseguiu controlar o poder da marca: A dor e a culpa incomensuráveis, sentimentos humanos, foram o alicerce de seu controle. Genial.
Com um roteiro inspirado, repleto de referências culturais, direção e edição enxutas e atuações precisas, “The Prisoner” facilmente se classifica como um dos melhores episódios da temporada. Assim sendo, o que esperar para o Season Finale? Veremos Deanmon? Quem morrerá? Quem sobreviverá?
…Continua no próximo episódio!
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1 Comentário

  1. Anônimo says:

    Pena que o Dean fez aquilo…

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