[REVIEW] Comentando o Episódio 10.12 – “About A Boy” de Supernatural

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domingo, 08 fevereiro 2015 595 Views 2 Comments
[REVIEW] Comentando o Episódio 10.12 – “About A Boy” de Supernatural
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REVIEW do Episódio 10.12-“About A Boy”: Chegamos a metade da temporada e o terceiro episódio do ano de Supernatural segue resgatando mais personagens.
Muita expectativa gerou-se sobre este retorno, especialmente por que desta vez não se trataria de um momento Flashback! Raspem o farelo da torta do prato pois acabamos de lustrar o Impala e apertem os cintos!
“About a Boy” é o décimo quinto episódio escrito por Adam Glass (foto),
que integra a equipe de roteiristas desde a sexta temporada. Entre os episódios mais recentes, Adam também foi responsável pelo roteiro de 10.04-“Paper Moon” e 9.07-“Bad Boys” (Onde vemos Dylan Everett pela primeira vez como Dean adolescente). Este foi o terceiro episódio dirigido por Serge Ladouceur (foto), diretor de fotografia em nada menos que 183 dos 207 episódios totais da série até então, desempenhando a função a partir de 1.02 -“Wendigo”. LaDouceur ganhou uma constelação prêmios e entre tantos, o de “Melhor Realização Técnica em Produção de TV” em 2009 pelo episódio 4.05 -“Monster Movie”.

 

                          Adam Glass (Escritor)                   Serge LaDouceur (Diretor)

Dean parece estar se preparando para o maior vestibular de sua vida envolto em todo tipo de material que possa dar alguma luz no fim do túnel em busca de resoluções para a marca. A angústia do Winchester primogênito tem sido retratada constantemente nesta temporada devido a marca, que tem se mostrado um dos maiores desafios que os irmãos já enfrentaram, uma vez que seu fardo e efeito aparentam ser irreversíveis. A canção “Ashes, The Rain and I” de James Gang, serve como plano de fundo alternativo perfeito para a angústia de Dean. Apesar de concentrada nele, a trama expõe seus sentimentos de forma implícita, preservando sua personalidade e na canção, esta angústia é transmitida de forma quase poética. Trancafiado no Bunker por dias, tamanha dedicação resulta na hesitação até mesmo de sair em busca de um caso em potencial. Dean será assim tão incapaz de se perdoar?

 
   
 

A fotografia do diretor permanece precisamente presente no trânsito entre as cenas, explorando ambiências externas. O interrogatório com o morador de rua que testemunhou a “abdução” de J.P. aparenta ser perda de tempo mas serviu para complementar o ar de mistério sobre o que de fato ocorreu. O depoimento em si não é congruente mas é introdutório ao momento em que Dean precisa adentrar novamente sua zona de conforto: o recinto da “perdição alcoólica” que vinha tentando abdicar. Também é interessante ver Sammy estimulando o irmão a integrar-se plenamente, quando o costumeiro é o inverso. Seguindo o contexto subtextual da primeira cena, a canção “Only a Matter of Time” do Headwater, retrata a insegurança de Dean em sua letra que diz ser apenas questão de tempo para enfrentar o inevitável, seja a tentação dos vícios e as implicações da marca, numa espécie de mensagem subliminar. Apesar do alívio na dose, a reflexão enaltecida pela música o afeta mas é interrompida por Tina. Entre doses e brindes, a interação flui e o roteiro aproveita para pincelar a descontração com lembranças de infância que remetem a juventude transviada dos irmãos. Momentos depois, um suspeito surge e “abduz” Tina e em seguida Dean, que desperta enclausurado e já rejuvenescido.

 
 
 
 
 


Dylan Everett concorre ao título de melhor interpretação de Jovem Dean Winchester em toda a série, tamanha similaridade com Dean adulto, seja nos gestos e expressões faciais ou fálicas, o jovem ator de 20 anos demonstra imensa versatilidade sem destoar em momento algum, tornando plenamente crível que Dean está ali, apenas preso em um corpo adolescente, dissipando qualquer comparação com a semelhança física entre os atores. Em comparação a sua última aparição, muitos fãs e críticas afirmaram que para Dean, o garoto não representava fidelidade ao personagem, um tremendo equívoco já que 9.07-“Bad Boys” tratava-se de um capítulo à parte das facetas “Deanísticas”, onde vimos um adolescente em desenvolvimento que reprimia sua sensibilidade diante da necessidade de se tornar precocemente adulto. Os passos do algoz misterioso captados em ângulos distantes de enquadramento aliados a escuridão do recinto em cores frias, contribuem para o clima sombrio e o medo em ser o próximo escolhido. Pontos extras para a direção. A bela fatia de bolo servida aos enclausurados já nos remete à uma certa fábula onde crianças precisam engordar. Seguindo sua hiperatividade mental, Dean rapidamente encontra rápido meio de fuga e vai ao encontro do irmão, onde estão hospedados.

   
  

E eis que o melhor diálogo interativo do episódio entre os irmãos se passa a bordo do Impala. Através das declarações de Dean, percebe-se que há magia envolvida neste processo retrocedente, uma vez que este efeito intervém fisiológicamente no corpo de Dean, afetando inclusive sua puberdade, atribuindo um tom cômico a toda a situação. Diante disto, surge uma revelação surpreendente: A marca de Caim desaparece e o roteiro inspirado de Glass surpreende ao incorporar habilmente ao plot, sobretudo por apresentar uma alternativa de se livrar dela. Além disto, assim como no diálogo entre Tina e Dean no Bar, o diálogo dos irmãos também resgata o saudosismo dos primórdios, onde ambos caçoavam um do outro com piadas e trocadilhos que proporcionavam sorrisos (mesmo poucos) e alguma descontração. Esta nostalgia tem sido um ingrediente presente que de um modo geral se torna uma cereja do bolo que os fãs agradecem e pedem Bis.

  

Após conseguirem invadir o recinto e render o misterioso sequestrador do porão, este revela ser ninguém menos que Hansel/João (Mark Acheson), o primeiro dos garotos sequestrado com sua irmã Gretel (Maria) que, além de ser escravizado pela Bruxa foi obrigado a comer o coração da própria irmã. Ele propõe vingança a ela com a ajuda dos caçadores em troca da reversão do feitiço. Inserir outra fábula ao universo de Supernatural tem sido um hábito interessante que rende bons frutos, como vimos no episódio anterior, onde foi revelado que um Letrado se tornara o Mágico de Oz e agora a bruxa de João e Maria como integrante do Grande Coven, são parte de tudo o que torna a série uma ampla fonte de entretenimento, graças a seleção de roteiristas e diretores e suas mentes brilhantes. A caracterização de Katja (Leslie Nicol) apesar de pomposa e até engraçada ao invés de assustadora, é fiel ao tom clássico do conto Grimm (inclusive no sotaque europeu), que é uma versão
esterilizada para a classe média do século XIX, onde a original era uma
admoestação da dura vida na Idade Média onde devido à fome e constante escassez de comida, o homicídio infantil era prática comum. Nesta história os irmãos são deixados no bosque para
que morram ou desapareçam porque não podem ser alimentados, retificando a afirmação de Hansel de que deram um final feliz.

   
 
   
 

A afirmação de Katja de que nunca obrigou Hansel a fazer qualquer coisa alguma, também remete a um reflexo do complexo de rejeição da madrasta quem os abandonou e mais ainda, levanta a hipótese de que Katja seja a própria Gretel/Maria que de alguma forma acabou cedendo o próprio coração para poupar o irmão da fome. Apesar de não ter explorado esta teoria, seria totalmente plausível e o fato de Rowena ter barganhado o próprio filho por porcos antes de abandoná-lo é outra referência desta probabilidade, que resultou no segmento da tendência da busca por recursos alternativos para sobreviver, tais quais, os subterfúgios do universo sobrenatural. A justificativa de Katja em raptar adultos e transformá-los foi uma boa forma de amarrar a transição das eras através dos séculos. Katja revela estar de passagem em busca de Rowena e os irmãos conseguem vantagem sobre a bizarra dupla, mas ainda assim não são páreo. Dean consegue arrancar o colar de feitiços de Hansel e de volta a sua forma original reverte o feitiço, impedindo que Sam seja transformado no próximo cardápio e queimando a Bruxa no forno conforme a fábula.

 
 
 
  
 

Não obstante, o roteiro encerra com um inesperado mas gratificante desfecho para Tina, que consegue uma segunda chance para recomeçar, se mantendo garota. J.P no fim das contas era inocente e foi expulso do bar injustamente, sendo ela quem roubou as gorjetas do Bartender por estar em afogada em dívidas, praticamente sem nada para viver. Através desta confissão e seus olhos expressivos, Madeleine Arthur encerra o destino de Tina com competência na atuação. “Quem não gostaria de ter uma segunda chance?”, são as palavras que ecoam através dos olhos reflexivos de Dean, evidenciando que uma parte de si gostaria de poder recomeçar, se livrando da marca de Caim e com direito a um fígado novo. Mas proteger o irmão é seu dever e seu dever é uma parte de si que ele jamais abriria mão, como o exemplar filho desobediente que sempre foi. Papai Winchester ficaria orgulhoso, pois.

 
  

O episódio se encerra com todos (exceto Dean) a salvo por hora. A marca está novamente presente e há um grande Coven a caminho. Magia pode ser uma alternativa contra a marca? Rowena poderia ser uma possível saída? Mas e quanto ao enigma do Rio que termina na fonte? Que tal ouvir Taylor Swift no Impala enquanto pensamos no assunto?

…Continua nos próximos episódios!

 

Se você ainda não viu o Episódio
 http://www.sobrenaturalbrazil.com.br/2015/01/legendado-download-do-episodio-1011.html
 

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2 Comemtários

  1. Anônimo says:

    Como sempre, ótimo review!!
    – Evelyn

  2. Anônimo says:

    Gostei muito deste episódio! A interpretação de Dylan Everett me fez até esquecer por alguns minutos que não era Jensen que estava lá. Muitos falam que Jared não é um bom ator. Discordo. A cara dele quando ele vem o Dean adolescente fala tudo que ele está pensando sem dizer uma palavra. As pequenas tiradas, o entrosamento … eles sempre foram irmãos!! Parabéns a série que depois de 10 anos ainda tem boas histórias para contar. Parabéns ao site também.Apesar de só estar escrevendo hoje acompanho vocês a muitos e muitos anos!! Foram vocês que há anos atrás me apresentaram a Supernatural e me convenceram pelos comentários, sinopses, noticias e tudo mais, a acompanhar a série. Parabéns pelo trabalho!

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